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AS GRANDES TEORIAS - Montaigne . Descartes. Immanuel Kant . Kardec

OS PENSADORES
➜ Estou hoje plenamente convencido que as "
grandes teorias" nós as elaboramos a sós. Creio que por isso certas naturezas humanas, classificadas como "pensadores", são geralmente indivíduos que prezam uma vida reservada, distantes do convívio social e até mesmo hostis a ele.
Bem diferente, por exemplo, de atletas, artistas de teatro e cinema, cantores e performers em geral. Essas pessoas prezam estar em grupo porque seu trabalho, em certa medida, depende dessa configuração associativa.

Consta que Montaigne era assim. E Descartes. Immanuel Kant. Kardec. Walt Whitman. Fernando Pessoa. Clarice Lispector - e outros.

É claro que isso não é uma regra geral. Platão foi um grande teórico e não era um recluso. Freud também não. Muito menos Hegel ou Sartre.

O ambiente religioso, por sua vez, é pródigo em atrair essa espécie de natureza reclusa com forte inclinação intelectual. Os mosteiros são prova disso.

Vejamos os "doutores" da Igreja - Ambrósio, Gregório, Jerônimo, Agostinho - e uma série de outros padres que construíram a base teórica do catolicismo (Abelardo, xxx, zzz

As "grandes teorias" surgem como uma espécie de epifania e arrastam nosso intelecto por planícies desconhecidas.

É importante não interferir racionalmente nesse momento. Ignore a inteligência, ignore conceitos cognitivos, ignore o politicamente correto e deixe a teoria se estruturar por ela mesma.

Foi o que aconteceu comigo quando entendi, de uma só vez e para sempre, que o mundo em que vivemos é um caldeirão de perversões com o qual nós nos habituamos a conviver. Uma experiência diária dor, decepção, medo, angústia e contínuo esperar - tudo isso entremeado por instante furtivos de indecisão e alguma coragem. E que nada pode ser feito para mudar isso.
(Mas consideremos que o mundo também nos brinda com momentos de alegria e gozo, mas não na mesma proporção).

As estruturas do mundo estão fincadas em um solo adubado por dúvidas, ilusões, ressentimentos, injustiças, vaidades, traições, intrigas, falsidades, aparências - e mais o que houver de desprezível. Se você não se proteger continuamente, será apanhado. O mundo não é, em definitivo, um lugar agradável de viver.

Caim quando executa Abel (por motivo, suponho, absolutamente fútil) dá a permissão necessária para o início desse espetáculo macabro a que chamamos Vida Humana, com a inexorável angústia inerente a ela.

Em última análise, viver é compartilhar o sofrimento nos seus diversos formatos - veja a velhice, por exemplo - e o que eventualmente nos dá alegria são momentos fugazes que escapam do processo massacrante da vida, e logo em seguida se dissipam diante da violência daquilo que não podemos evitar: a realidade.

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Vander uivando para a lua













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